De "Falcão de Combate" a "Pombo de Viragem": uma frase de Waller enlouqueceu o mercado global
A notícia mais importante do mercado global na noite passada não foi um discurso de Trump, nem um acalmar de Bassett —
mas sim um antigo membro do Fed, outrora o mais falcão, que de repente disse "apoio a não subida das taxas em setembro".
Antes de mais, deixa-me dizer quem é Waller.
Este homem foi uma vez o principal candidato a presidente do Fed. Com sólida formação profissional e posição independente, Wall Street chegou a apostar fortemente na sua nomeação.
Depois foi ultrapassado por Walsh.
Sem se tornar presidente, a sua posição começou a oscilar — por vezes mais falcão contra a inflação, outras vezes mais pombo para proteger a economia. O mercado foi gradualmente deixando de levar as suas palavras a sério.
Mas ontem à noite, esta pessoa "menosprezada pelo mercado" disse algo que fez os ativos globais celebrarem.
Qual foi a frase exata?
Numa entrevista à Reuters em Washington, disse: se os dados das próximas duas semanas continuarem a mostrar arrefecimento da inflação, "vou apoiar a manutenção das taxas inalteradas na reunião de setembro".
Chegou mesmo a citar John Lennon — "dar uma oportunidade à inflação para arrefecer".
Mas não fechou a porta — disse que se os dados de inflação de agosto forem mais quentes, "considerarei apoiar um aumento das taxas".
O mais importante foi a frase seguinte —
na sessão de perguntas e respostas, ele próprio suavizou o tom, dizendo que espera que os dados de inflação estejam em níveis "razoáveis".
Em linguagem simples:
"Acho que os dados não serão maus, por isso estou inclinado a não subir as taxas."
Por que é que esta frase é tão importante?
Porque Waller é membro votante do FOMC.
O mercado assumia que ele continuaria com uma postura falcão — afinal, na semana passada o presidente Walsh foi bastante falcão em Jackson Hole, elevando a probabilidade de subida em setembro de 35% para 66%.
Mas assim que Waller falou, a probabilidade de subida caiu de 63,2% para 50%.
Uma queda de 13 pontos percentuais.
Esta foi a maior divergência de expectativas do ano.
Depois houve um efeito dominó —
os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram drasticamente, o rendimento dos títulos a 10 anos caiu 3,8 pontos base para 4,756%.
O índice do dólar caiu para 98,83, o valor mais baixo em quase duas semanas.
O ouro disparou — o ouro à vista ultrapassou os 4510 dólares, com uma subida diária próxima dos 2%.
O Dow Jones subiu 1,18%, o S&P 1,06%, e o Nasdaq liderou com 1,4%.
A Tesla subiu mais de 5%, a Meta mais de 3%, e a Microsoft mais de 2%.
As criptomoedas enlouqueceram —
o Bitcoin ultrapassou os 82.000 dólares, atingindo o valor mais alto em quase quatro meses.
Em 24 horas, houve liquidações no mercado totalizando 510 milhões de dólares, com 415 milhões em posições curtas.
O MSTR subiu mais de 17%, Circle mais de 16%, e Coinbase mais de 10%.
Uma frase de Waller abalou o mercado global.
Mas não te alegres demasiado cedo.
Waller foi claro — os dados do CPI de agosto decidirão o seu voto final.
O CPI será divulgado a 11 de setembro, e a reunião do FOMC será a 15-16 de setembro.
Nas próximas duas semanas, todos os olhos estarão nos dados da inflação.
Ele disse — "Se a inflação acelerar ligeiramente, isso pode ser suficiente para me levar a apoiar uma política mais restritiva".
Waller passou de um falcão a um pombo da noite para o dia, não porque mudou de opinião, mas porque os dados o obrigaram a isso.
A taxa de inflação núcleo em três meses caiu de 4,76% em fevereiro para 3,05%. A esta velocidade, ele não pode fingir que não vê.
Negociar o arrefecimento da inflação é negociar a "viragem para pombo" de Waller.
Mas lembra-te — antes do CPI sair, toda a celebração é apenas um ensaio.
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